Segunda-feira.
Sento-me na «Benard», no chiado, e observo a azáfama da massa humana que sobe e desce a Rua Garrett. À minha frente a loja «Paris em Lisboa» exibe a sua bela fachada do início do século passado como uma foto a preto e branco esbatida pelo passar dos anos. Junto à montra um engraxador espera, absorto, por algum cliente, enquanto a ponta final de um cigarro lhe amarelece ainda mais os dedos das mãos. Ao meu lado um casal de franceses permanece num silêncio cúmplice e acena simpaticamente com a cabeça à investida de um rapaz com postais na mão que lhes pede uma moeda. Ela usa uma flor branca na parte de trás do cabelo, a condizer com a palidez do seu rosto onde sobressai apenas o vermelho vivo do baton. Um conhecido homem de negócios, com um fato de risca impecavelmente aprumado, acompanhado por uma mulher elegante, contrasta com o ar desalinhado de um actor de teatro que desce a rua. Um acordeão resiste ao burburinho e repete, incessante, o refrão de uma música popular que parece marcar o passo de um vai e vem de gente que não pára.
Termino o café, subo em direcção ao largo Camões e avisto o Tejo, sereno e majestoso. Lisboa debruça-se sobre o seu rio numa espécie de cumplicidade que lhes realça a beleza. O dia está um pouco enublado mas apesar disso o brilho de um sol tímido dá a Lisboa uma luminosidade que a torna diferente de qualquer outra cidade.
Os edifícios pombalinos com as fachadas escurecidas pelo tempo e pelo fumo dos automóveis apresentam-se como fidalgos sem fortuna mas com a altivez de quem preserva a sua dignidade.
Em Lisboa tudo se afigura como num palco através dos tempos: Mudam os actores, mudam os cenários e as histórias mas o palco permanece imóvel à espera de novos personagens. Lisboa é assim: Serena, bela, indiferente a quem passa, apenas aconchegada no seu rio.
Lisboa é bela, porque o é, e porque é nossa.
Sento-me na «Benard», no chiado, e observo a azáfama da massa humana que sobe e desce a Rua Garrett. À minha frente a loja «Paris em Lisboa» exibe a sua bela fachada do início do século passado como uma foto a preto e branco esbatida pelo passar dos anos. Junto à montra um engraxador espera, absorto, por algum cliente, enquanto a ponta final de um cigarro lhe amarelece ainda mais os dedos das mãos. Ao meu lado um casal de franceses permanece num silêncio cúmplice e acena simpaticamente com a cabeça à investida de um rapaz com postais na mão que lhes pede uma moeda. Ela usa uma flor branca na parte de trás do cabelo, a condizer com a palidez do seu rosto onde sobressai apenas o vermelho vivo do baton. Um conhecido homem de negócios, com um fato de risca impecavelmente aprumado, acompanhado por uma mulher elegante, contrasta com o ar desalinhado de um actor de teatro que desce a rua. Um acordeão resiste ao burburinho e repete, incessante, o refrão de uma música popular que parece marcar o passo de um vai e vem de gente que não pára.
Termino o café, subo em direcção ao largo Camões e avisto o Tejo, sereno e majestoso. Lisboa debruça-se sobre o seu rio numa espécie de cumplicidade que lhes realça a beleza. O dia está um pouco enublado mas apesar disso o brilho de um sol tímido dá a Lisboa uma luminosidade que a torna diferente de qualquer outra cidade.
Os edifícios pombalinos com as fachadas escurecidas pelo tempo e pelo fumo dos automóveis apresentam-se como fidalgos sem fortuna mas com a altivez de quem preserva a sua dignidade.
Em Lisboa tudo se afigura como num palco através dos tempos: Mudam os actores, mudam os cenários e as histórias mas o palco permanece imóvel à espera de novos personagens. Lisboa é assim: Serena, bela, indiferente a quem passa, apenas aconchegada no seu rio.
Lisboa é bela, porque o é, e porque é nossa.
Lisboa é eterna.
