terça-feira, 3 de junho de 2008

Viver

Numa entrevista ao “Expresso”, Sobrinho Simões, um dos mais destacados investigadores portugueses na área das ciências médicas, afirmou que vivemos mais do que devíamos. Ao que parece o ser humano não foi “programado” para viver tanto tempo e só os avanços da medicina permitiram prolongar a nossa longevidade para além dos limites que a natureza nos impôs. No entanto, segundo o investigador, ao tentar adiar o inevitável, a ciência abre caminho a uma espécie de «morte em vida» porque, se é possível evitar completamente a dor física e até prolongar a vida, não é possível eliminar a dor psicológica de alguém que, apesar de estar vivo, perde mobilidade ou vê as suas capacidades cognitivas diminuídas de tal forma que o adiamento da morte lhe traz outra forma de sofrimento.

A inevitabilidade de um ponto final nas nossas vidas é algo que nos assusta. Evitamos pensar no assunto para não vivermos angustiados. A morte só toca na porta ao lado, nunca na nossa, e quando nos vemos ao espelho não reconhecemos que envelhecemos. Só que não há volta a dar: O tempo faz de nós o que quer e a única coisa que podemos fazer com ele é aproveitá-lo. Estamos condenados a viver a única vida que temos e por isso só nos resta desfrutar dela ao máximo. É a única parte que nos compete, o resto é com a natureza.