quinta-feira, 29 de maio de 2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Filme de culto

Blade Runner está novamente nos cinemas ( em Lisboa apenas no Corte Inglês ) numa versão remasterizada. Estreou há mais de 20 anos. Vi-o na altura e nunca mais esqueci esta magnífica obra cinematográfica de Ridley Scott que ficará para sempre na história do cinema. Altamente recomendado..

terça-feira, 27 de maio de 2008

Nós e os outros

Vivem-se tempos conturbados. As televisões e os jornais não param de nos lembrar que vivemos num mundo desequilibrado, perigoso, injusto e instável. É a crise das fontes energéticas, a escassez dos alimentos, os conflitos que proliferam em várias zonas do globo, os problemas ambientais, as catástrofes naturais, a violência urbana e um rol de outras maleitas que afectam o mundo.

Portugal não escapa aos males globais. Se é verdade que não sofremos do principal e mais tenebroso problema de todos, a guerra, e se temos sido poupados ás fúrias da natureza, temos outras razões para nos preocuparmos.

Seria portanto de esperar que, na adversidade, nos tornássemos mais interventivos, mais exigentes, sobretudo com nós próprios, e também mais solidários. Deveríamos reagir com mais empenho no nosso dia a dia para podermos ser mais exigentes com os outros, sobretudo com os que nos governam. Deveríamos ser mais participativos na coisa pública, pelo menos através do voto em altura própria, acto de que muitos abdicam regularmente.

A letargia geral em que mergulhámos é apenas episodicamente interrompida por uma gritaria histérica em tempos de crise que depressa se esfuma assim que um paliativo político nos resolve os problemas imediatos, quase sempre, adiando-os para mais tarde.

Portugal vive numa espécie de coma induzido. A doença é o desânimo e os fármacos para a amenizar são os acontecimentos sociais e desportivos do momento. As revistas cor-de-rosa são a leitura preferida da maioria e os programas televisivos, de uma pobreza franciscana, proporcionam felizes serões em família. Os noticiários e os programas de informação são interrompidos a cada dez minutos porque chegou mais um jogador da selecção ao aeroporto ou porque o seleccionador nacional se irritou com um jornalista. A política dá lugar à politiquice quando o primeiro-ministro fuma dentro de um avião e logo promete deixar de fumar (facto importante para as nossas vidas e para os nossos problemas!). Os concursos deprimentes e as telenovelas ocupam horário nobre nas televisões.

De pouco nos importam os milhares de mortos provocados por catástrofes naturais em Myanmar e na China, o espancamento até à morte de emigrantes moçambicanos na África do Sul ou a catástrofe humanitária no Darfur que condena milhares de pessoas, sobretudo crianças, a morrer à fome. Estes não são motivos de conversa de café em Portugal.

A banalidade e o egoísmo andam de mãos dadas e asfixiam-nos enquanto sociedade e o pior é que os sintomas se agravam. Se é verdade que nos últimos 30 anos aumentámos de forma assinalável o nosso nível académico, não crescemos proporcionalmente em educação cívica. Uma e outra coisa são diferentes e não dependentes.

Lembro-me de crescer num bairro de Lisboa onde conhecia grande parte das pessoas, pelo menos a maioria das que moravam na minha rua e, claro está, todas as do meu prédio. Lembro-me da minha mãe pedir ás vizinhas um qualquer condimento para a comida suprindo assim uma falta de última hora, acto retribuído amiúde pela Dona Lurdes, pela Dona Manuela ou pela menina Luísa ( trato curioso mas comum na época ).

Hoje vivo num prédio e, além do bom dia e boa tarde ditados pelas regras de boa educação ou os encontros nem sempre pacíficos nas reuniões de condóminos, pouco mais se alonga o diálogo com os meus vizinhos.

O que tem isto a ver com a falta de interesse pelas questões sociais ou pela política? O que tem a ver com a banalidade e egocentrismo que se apoderou de nós? Tudo.

Estamos cada vez mais fechados dentro do nosso arco social onde cabem as nossas famílias e os nossos amigos. Somos capazes de muito para manter firme e coeso o círculo. O que se passa fora dele não é problema nosso nem nos diz respeito. Se uns tipos se andam a matar em África é lá com eles. Se acabou a salsa ao vizinho, que fosse mais organizado e tivesse feito uma lista de compras numa folha Exel.

Chama-se "Sempre de Mim" e recomenda-se. Novo álbum de Camané com poesias de Fernando Pessoa, Pedro Home de Mello, David Mourão-Ferreira

Músicas de uma vida ( uma letra fantástica )



THUNDER ROAD ( Bruce Springsteen )

The screen door slams, Mary's dress waves
Like a vision she dances across the porch as the radio plays
Roy Orbison singing for the lonely
Hey, that's me and I want you only
Don't turn me home again, I just can't face myself alone again
Don't run back inside, darling, you know just what I'm here for
So you're scared and you're thinking that maybe we ain't that young anymore
Show a little faith, there's magic in the night
You ain't a beauty but, hey, you're alright
Oh, and that's alright with me

You can hide 'neath your covers and study your pain
Make crosses from your lovers, throw roses in the rain
Waste your summer praying in vain
For a savior to rise from these streets
Well now, I ain't no hero, that's understood
All the redemption I can offer, girl, is beneath this dirty hood
With a chance to make it good somehow
Hey, what else can we do now?
Except roll down the window and let the wind blow back your hair
Well, the night's busting open, these two lanes will take us anywhere
We got one last chance to make it real
To trade in these wings on some wheels
Climb in back, heaven's waiting on down the tracks

Oh oh, come take my hand
We're riding out tonight to case the promised land
Oh oh oh oh, Thunder Road
Oh, Thunder Road, oh, Thunder Road
Lying out there like a killer in the sun
Hey, I know it's late, we can make it if we run
Oh oh oh oh, Thunder Road
Sit tight, take hold, Thunder Road

Well, I got this guitar and I learned how to make it talk
And my car's out back if you're ready to take that long walk
From your front porch to my front seat
The door's open but the ride ain't free
And I know you're lonely for words that I ain't spoken
But tonight we'll be free, all the promises'll be broken

There were ghosts in the eyes of all the boys you sent away
They haunt this dusty beach road in the skeleton frames of burned-out Chevrolets
They scream your name at night in the street
Your graduation gown lies in rags at their feet
And in the lonely cool before dawn
You hear their engines rolling on
But when you get to the porch, they're gone on the wind
So Mary, climb in
It's a town full of losers, I'm pulling out of here to win

sábado, 24 de maio de 2008

Rir (ainda) não paga imposto

Dizem que o rei cruel do Averno (inferno) imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter no cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!

In Poesias éróticas, burlescas e satíricas, Barbosa du Bocage

terça-feira, 20 de maio de 2008

Lisboa

Segunda-feira.
Sento-me na «Benard», no chiado, e observo a azáfama da massa humana que sobe e desce a Rua Garrett. À minha frente a loja «Paris em Lisboa» exibe a sua bela fachada do início do século passado como uma foto a preto e branco esbatida pelo passar dos anos. Junto à montra um engraxador espera, absorto, por algum cliente, enquanto a ponta final de um cigarro lhe amarelece ainda mais os dedos das mãos. Ao meu lado um casal de franceses permanece num silêncio cúmplice e acena simpaticamente com a cabeça à investida de um rapaz com postais na mão que lhes pede uma moeda. Ela usa uma flor branca na parte de trás do cabelo, a condizer com a palidez do seu rosto onde sobressai apenas o vermelho vivo do baton. Um conhecido homem de negócios, com um fato de risca impecavelmente aprumado, acompanhado por uma mulher elegante, contrasta com o ar desalinhado de um actor de teatro que desce a rua. Um acordeão resiste ao burburinho e repete, incessante, o refrão de uma música popular que parece marcar o passo de um vai e vem de gente que não pára.

Termino o café, subo em direcção ao largo Camões e avisto o Tejo, sereno e majestoso. Lisboa debruça-se sobre o seu rio numa espécie de cumplicidade que lhes realça a beleza. O dia está um pouco enublado mas apesar disso o brilho de um sol tímido dá a Lisboa uma luminosidade que a torna diferente de qualquer outra cidade.

Os edifícios pombalinos com as fachadas escurecidas pelo tempo e pelo fumo dos automóveis apresentam-se como fidalgos sem fortuna mas com a altivez de quem preserva a sua dignidade.

Em Lisboa tudo se afigura como num palco através dos tempos: Mudam os actores, mudam os cenários e as histórias mas o palco permanece imóvel à espera de novos personagens. Lisboa é assim: Serena, bela, indiferente a quem passa, apenas aconchegada no seu rio.

Lisboa é bela, porque o é, e porque é nossa.

Lisboa é eterna.

terça-feira, 13 de maio de 2008

QUEM VÊ TÊVÊ

No início dos anos 80 havia um grupo de música pop, os Táxi, que cantavam uma música cujo refrão era bastante sugestivo:” quem vê TV sofre mais que no WC”. Confesso que cada vez vejo menos televisão mas de quando em vez lá ligo a caixa e dedico-me ao desporto nacional: O zapping.
Ontem à noite foi o que fiz. Depois do circuito habitual detive-me por alguns minutos no canal 1 da RTP a ver o prós-e-contras. Parece que o tema era a corrupção no futebol. Convidados; o Major Valentim e mais uns quantos representantes das lides futebolísticas.
O autarca de Gondomar berrava e esbracejava com vigor enquanto a audiência soltava gargalhadas de contentamento pela performance do homem. Foi então que me lembrei da música dos Táxi e lembrei-me também das viagens de trabalho que fiz ao estrangeiro. Normalmente antes de me deitar ligava a televisão do quarto do hotel e visionava os canais locais mesmo que a língua me fosse adversa. Era uma forma de saber um pouco mais sobre os hábitos do autóctones. Ontem pus-me a imaginar um estrangeiro num quarto de hotel em Portugal a ligar a televisão no canal 1 e o que pensaria ele que estava a acontecer. Acho que colocaria várias hipóteses:
- Tratava-se de um programa humorístico e aqueles senhores eram actores.
- Era um talk show de um canal generalista privado que consistia em colocar frente a frente vizinhos com queixas uns dos outros.
- Eram convidados representantes de duas organizações oponentes do médio oriente e aquele senhor que estava aos gritos era representante da Fatah e jurava perseguir e matar todos os infiéis.
- Era um cidadão desesperado com a lentidão da justiça portuguesa que tinha decidido invadir as instalações de um canal de televisão num programa em directo.
Acho que o tal cidadão estrangeiro não colocaria a hipótese de se tratar de um programa de informação cujo protagonista é presidente de uma câmara, ex presidente de um clube de futebol da primeira divisão, membro relevante de um dos principais partidos políticos, ex-presidente de uma empresa pública do Porto e ex presidente do principal organismo regulador do futebol em Portugal. Ah… e que tudo isto se passava num canal público de televisão paga por todos nós.

domingo, 11 de maio de 2008

PORQUÊ UM BLOG

Porquê e para quê um Blogue?
Confesso, amigo(a) leitor(a), que enquanto escrevo estas linhas eu próprio me interrogo dos propósitos do dito. Talvez seja uma forma de comunicar com aqueles de quem gosto mas dos quais estou afastado pelas mais diversas razões. É algo que se assemelha ao envio de um postal de um país remoto; Talvez não tenhamos tempo para receber uma resposta porque seguimos viagem mas sabemos que alguém gostou de receber notícias nossas.

DIVA



Há vozes com uma estética própria que são como uma impressão digital,inconfundíveis. Num país marcado pela mediania, a qualidade surge como uma lufada de ar fresco

FRASE DE SEMANA

António Mexia, que comanda os destinos da EDP, referiu-se assim ao facto de a adminstração da eléctrica nacional ter sido aumentada em mais de 100% enquanto os seus funcionários receberam um aumento salarial de aprox. 2,5%. "Os valores pagos ao conselho de administração da EDP estão até abaixo do que é praticado nas empresas que constituem o PSI20... mas não me queixo " (risos).
Recorde-se que António Mexia pode ganhar 4,2 milhões de euros em 3 anos à frente da EDP

sábado, 10 de maio de 2008

O MONSTRO

Todos os dias nos chegam mais notícias acerca da escassez de alimentos e do consequente aumento de preços de bens essenciais como o pão, o leite e a carne, entre outros. Os políticos dizem-nos que a culpa é do mau ano agrícola em algumas regiões do globo, do aumento do consumo a nível mundial ( parece que os chineses desataram a comer carne ) e ainda que existe alguma especulação.

Quer-me parecer que o maior problema reside precisamente neste último factor, embora aos políticos não lhes convenha afirmá-lo porque é demonstrativo da sua incapacidade para travar a voracidade da economia selvagem que eles próprios ajudaram a criar.

Pagámos (sim, fomos nós todos que pagámos) aos agricultores para não produzir, pagámos para destruir frotas de pesca, incentivou-se a especialização na produção agrícola em vez da diversificação. Com estas políticas de concentração permitiu-se, por um lado uma maior vulnerabilidade aos caprichos incontroláveis da natureza e por outro que se tornasse apetecível aos especuladores entrar num sector que até agora lhes passava ao lado porque não era rentável.
Apresenta-se cada vez mais como uma inevitabilidade o facto de sermos controlados por especuladores sem escrúpulos, seja no petróleo, no gás, no leite ou no pão. Alimentaram a besta e agora andam ás voltas para encontrar a forma de lidar com ela. Talvez se abra uma janela de oportunidades para que entendam de uma vez por todas os riscos de subverter as regras da hierarquia entre política e economia

VELHICE




Quando era miúdo o meu pai costumava brindar-me com esta verdade Lapaliciana: “Ninguém gosta de ser velho mas todos querem lá chegar”. É um facto que todos queremos prolongar a nossa existência mas também é verdade que se torna cada vez mais difícil ser-se velho, nomeadamente em Portugal. Todos dizemos o politicamente correcto quando abordamos a questão da velhice: Que a forma como são tratados os velhos diz muito sobre as sociedades, que os mais velhos têm uma sabedoria que deve ser aproveitada, que não os devemos descartar, que podem ter um papel activo na sociedade, etc. A verdade é outra e é crua: Encaramos os velhos como um fardo!

Sempre gostei de falar com pessoas mais velhas, de ouvir histórias de vida, algumas alegres, felizes e outras bem tristes, marcadas por fatalidades e desilusões. São experiências partilhadas por aqueles que um dia sonharam que seriam algo diferente daquilo em que se tornaram.

É o sonho de sermos felizes e de ainda alcançarmos os nossos objectivos que nos mantém vivos. Pergunto-me que sonhos e objectivos poderá ainda ter o velho que me aborda no semáforo para me pedir esmola; Conseguir obter o mínimo para sobreviver mais um dia?

É uma triste sociedade aquela em que vivemos que não é capaz de garantir uma velhice com o mínimo de dignidade aqueles que um dia, provavelmente, também tiveram uma família, um trabalho e sonhos... como nós.

ANJOS

A vida é uma permanente busca da felicidade. Independentemente do que isso possa significar para cada um, é um paradigma da condição humana. Quase sempre nos esquecemos que as coisas melhores da vida estão perto de nós e são grátis.

AFINAL HAVIA OBJECTIVOS PARA 2008 NA ASAE : 2 detenções,8 processos crime,61 contra-ordenações, 6 suspensões (objectivos por inspector)

Será que aquele tipo da ASAE quando andava na escola primária era aquele da turma que era gozado e levava carolos dos outros meninos e, logo aí, jurou vingança?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

PARA AQUELES QUE HÁ CINCO SÉCULOS NOS DEIXARAM UM LEGADO DE CORAGEM E DETERMINAÇÃO

Alma Lusa

És mulher coragem, brava marinheira
Mãe da tribo lusa, gente assaz ousada
Não queres saber de que outra maneira
Podes tu amar e ousar ser amada

És branca, mulata, roliça crioula
Abraçaste o mundo com força em teu peito
Melancólico fado que em nós entoa
Lá longe orgulhosos cantamos teus feitos

Por terras distantes e moiras paragens
Entoou o vento o teu nobre canto
Por mares revoltos levaste a mensagem
De ancestrais avós herdaste o encanto

Em duro granito do meu solo pátrio
Vou esculpir teu nome com fino cinzel
Choram guitarras e o teu povo sábio
É orgulho o que sentem, lá vai teu batel

Eu grito teu nome, eu te proclamo
Minha Pátria bela, cântico de musa
É a ti que eu quero, é a ti que eu amo
É em ti que eu repouso minha alma lusa

Carlos Borges