sábado, 24 de maio de 2008

Rir (ainda) não paga imposto

Dizem que o rei cruel do Averno (inferno) imundo
Tem entre as pernas caralhaz lanceta,
Para meter no cu na aberta greta
A quem não foder bem cá neste mundo:

Tremei, humanos, deste mal profundo,
Deixai essas lições, sabida peta,
Foda-se a salvo, coma-se a punheta:
Este prazer da vida mais jucundo.

Se pois guardar devemos castidade,
Para que nos deu Deus porras leiteiras,
Senão para foder com liberdade?

Fodam-se, pois, casadas e solteiras,
E seja isto já; que é curta a idade,
E as horas do prazer voam ligeiras!

In Poesias éróticas, burlescas e satíricas, Barbosa du Bocage

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