terça-feira, 13 de maio de 2008

QUEM VÊ TÊVÊ

No início dos anos 80 havia um grupo de música pop, os Táxi, que cantavam uma música cujo refrão era bastante sugestivo:” quem vê TV sofre mais que no WC”. Confesso que cada vez vejo menos televisão mas de quando em vez lá ligo a caixa e dedico-me ao desporto nacional: O zapping.
Ontem à noite foi o que fiz. Depois do circuito habitual detive-me por alguns minutos no canal 1 da RTP a ver o prós-e-contras. Parece que o tema era a corrupção no futebol. Convidados; o Major Valentim e mais uns quantos representantes das lides futebolísticas.
O autarca de Gondomar berrava e esbracejava com vigor enquanto a audiência soltava gargalhadas de contentamento pela performance do homem. Foi então que me lembrei da música dos Táxi e lembrei-me também das viagens de trabalho que fiz ao estrangeiro. Normalmente antes de me deitar ligava a televisão do quarto do hotel e visionava os canais locais mesmo que a língua me fosse adversa. Era uma forma de saber um pouco mais sobre os hábitos do autóctones. Ontem pus-me a imaginar um estrangeiro num quarto de hotel em Portugal a ligar a televisão no canal 1 e o que pensaria ele que estava a acontecer. Acho que colocaria várias hipóteses:
- Tratava-se de um programa humorístico e aqueles senhores eram actores.
- Era um talk show de um canal generalista privado que consistia em colocar frente a frente vizinhos com queixas uns dos outros.
- Eram convidados representantes de duas organizações oponentes do médio oriente e aquele senhor que estava aos gritos era representante da Fatah e jurava perseguir e matar todos os infiéis.
- Era um cidadão desesperado com a lentidão da justiça portuguesa que tinha decidido invadir as instalações de um canal de televisão num programa em directo.
Acho que o tal cidadão estrangeiro não colocaria a hipótese de se tratar de um programa de informação cujo protagonista é presidente de uma câmara, ex presidente de um clube de futebol da primeira divisão, membro relevante de um dos principais partidos políticos, ex-presidente de uma empresa pública do Porto e ex presidente do principal organismo regulador do futebol em Portugal. Ah… e que tudo isto se passava num canal público de televisão paga por todos nós.

1 comentário:

Rita disse...

e quem fala assim não é gago!!! o major estava anedótico...