sábado, 21 de junho de 2008




Chegasse enfim a coragem

Pediria ao vento norte
Ás sereias de Ulisses
Que levassem meu clamor
Para dizer aos que me amam
Tudo o que não lhes disse

Chegasse enfim a coragem

E correria o mundo sem mapa e sem destino,
Sem horas ou compromisso,
Sem antes ou depois, só isso!

Chegasse enfim a coragem

E era o herói por um dia,
Cerrava os olhos molhados
De lágrimas de alegria
E diria, diria

Diria que o amor,
Que as palavras não dizem
Não é vão, é clausura
É sentimento contido
É fogo, ardor, amargura

Chegasse enfim a coragem

Para libertar meu grito
Soltar de vez meu lamento
E dizer-vos que o amor é sorte
Que me libertará do tormento

Chegasse enfim a coragem

De dizer aos que me querem
Que os silêncios são chama
Fogo que me consome
Gelo que a voz tolhe
Muros a quem me ama

Chegasse enfim a coragem

De libertar minha pena
De escrever ébrias estrofes
Nunca ditas mas sofridas
Cantadas p´ra ti num poema


Carlos Borges - Jun´08

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