sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Asas

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Abro as asas ao vento
Asas do desejo vôo para ti
Sinto a humidade quente do teu beijo
Guerra e paz, inquietude, desejo

Vôo contigo para longe
Atravesso desertos rios e mares
Enfrento tempestades, maldades, o mundo
Mas em ti repouso num sono profundo

Sonho com mares bravos, revoltos
O azul profundo, vertiginoso, abissal
Aventuras milenares, herois e vilões
Odisseias de encantar,odes, harpas e belas canções

Sou herói, personagem principal
Destemido guerreiro monto meu alazão
Travo batalhas luto contra mim
Sei que já cansado voltarei a ti e chegará o fim

Sou fraco, cobarde,actor secundário
Transporto comigo as penas do mundo
Temo inseguro o que virá depois
Tu és porto de abrigo e o mundo é a dois

O sonho acaba enfim acordo
O sol do fim da tarde beija os meus olhos
Vejo o castanho terno dos teus
E sei que o belo é criação de deus

Partes calmamente
Silhueta esbelta, ave elegante
Detens-te um momento, olhas para mim e sorris
Aceno-te ao longe e oiço uma voz que diz “está feliz”

Pergunto ao mar que correu o mundo
Se viu a ave bela voar sobre si
Pergunto à chuva e ao canto do vento
Nada me dizem segue o lamento

Sei que lá longe em paragens incertas
Por um breve instante, momento fugaz
Recordas os beijos, o que disse baixinho
Vagas memórias terno carinho

Sinto a calma plena, tratado de paz
Doces lembranças, nostalgicas sensações
Recordações entranhadas, fazes parte de mim
Estás longe, sinto-te perto, não chegou o fim

Carlos Borges

1 comentário:

Anónimo disse...

sem palavras...