terça-feira, 20 de maio de 2008

Lisboa

Segunda-feira.
Sento-me na «Benard», no chiado, e observo a azáfama da massa humana que sobe e desce a Rua Garrett. À minha frente a loja «Paris em Lisboa» exibe a sua bela fachada do início do século passado como uma foto a preto e branco esbatida pelo passar dos anos. Junto à montra um engraxador espera, absorto, por algum cliente, enquanto a ponta final de um cigarro lhe amarelece ainda mais os dedos das mãos. Ao meu lado um casal de franceses permanece num silêncio cúmplice e acena simpaticamente com a cabeça à investida de um rapaz com postais na mão que lhes pede uma moeda. Ela usa uma flor branca na parte de trás do cabelo, a condizer com a palidez do seu rosto onde sobressai apenas o vermelho vivo do baton. Um conhecido homem de negócios, com um fato de risca impecavelmente aprumado, acompanhado por uma mulher elegante, contrasta com o ar desalinhado de um actor de teatro que desce a rua. Um acordeão resiste ao burburinho e repete, incessante, o refrão de uma música popular que parece marcar o passo de um vai e vem de gente que não pára.

Termino o café, subo em direcção ao largo Camões e avisto o Tejo, sereno e majestoso. Lisboa debruça-se sobre o seu rio numa espécie de cumplicidade que lhes realça a beleza. O dia está um pouco enublado mas apesar disso o brilho de um sol tímido dá a Lisboa uma luminosidade que a torna diferente de qualquer outra cidade.

Os edifícios pombalinos com as fachadas escurecidas pelo tempo e pelo fumo dos automóveis apresentam-se como fidalgos sem fortuna mas com a altivez de quem preserva a sua dignidade.

Em Lisboa tudo se afigura como num palco através dos tempos: Mudam os actores, mudam os cenários e as histórias mas o palco permanece imóvel à espera de novos personagens. Lisboa é assim: Serena, bela, indiferente a quem passa, apenas aconchegada no seu rio.

Lisboa é bela, porque o é, e porque é nossa.

Lisboa é eterna.

5 comentários:

Rita disse...

estás na profissão errada!!!!!!!!! parabéns pelo texto : )

Anónimo disse...

Lisboa pode ser a cidade esplendor mas não tem mar e isso, só a Costa do Estoril e quem passa na marginal pode ver,sentir e cheirar..."o mar..."Lindo... Um cenário magnífico,onde o ruído e o "atropelo" das pessoas quase não existe. Chegamos a Cascais e deparamo-nos com uma vila linda cheia de história e "alegria". A parte antiga de Cascais, é sem dúvida de cortar a respiração!
Lx está contaminada de m mix de raças, podridão, miséria, assaltos, fome e realmente só lhes resta os magníficos monumentos que lhes dão toda a sua beleza bem como os as noites nas discos, claro!
Agora,lx não é tudo. Portugal tem cidades lindíssimas e com uma qualidade de vida incrível e mto mais saudável.
Divergências...eheeheheh....

Rita disse...

cascais é grande lisboa :P

Anónimo disse...

Olhe Rita;
Cascais não é nem nunca será Lx. Graças a Deus;)a única coisa q nós temos o privilégio de dizer qdo estamos longe ou fora do país é, qdo nos perguntam, ocasionalmente, de onde somos.E, nós dizemos Portugal e logo eles associam..."Ah.. Lisbon??? e nós temos imenso orgulho em dizer... No, we´re live in Cascais, not in Lisbon,lol;)
Bjs pa si....

filipa disse...

pai não sabia que tinhas tanto jeito para estas "cenas" hahahaha
por favor escreve um livro e dedica a mim e ao resto da família (: